quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Faremos milagres maiores do que Jesus fez?


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Já ouvi de diversas pessoas a frase “Jesus disse que faríamos obras maiores do que as Dele”.

De fato, existe um texto em João 14.12, onde Jesus diz: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai”.

Normalmente essa frase é dita por pessoas que veem com bons olhos igrejas com foco na teologia da prosperidade e também nos milagres como evidência de que Deus está agindo em determinado lugar.

Assim, qualquer líder que não demonstre o famoso “poder” não é visto como sendo um homem de Deus, já que Jesus disse, segundo interpretam, que Seus servos fariam obras maiores do que as Dele.

No texto, Jesus diz que aquele que crê Nele faria “as obras que ele faz e outras maiores”. Alguns têm interpretado essa fala de Jesus focando no fato de que nós, servos de Cristo, iremos fazer milagres maiores do que aqueles que Jesus fez. Mas será isso mesmo o que o texto quer comunicar? Vejamos:

(1) Já que o texto fala de obras, vamos relembrar algumas das obras realizadas por Jesus:
a) Devolveu a visão a cegos;
b) Fez paralíticos andarem;
c) Ressuscitou um morto que já estava em decomposição havia quatro dias;
d) Transformou água em vinho;
e) Curou leprosos;
f) Controlou uma tempestade;
g) Curou um mudo;
h) Alimentou uma multidão com cinco pães e dois peixes e em outra ocasião alimentou outra multidão com sete pães e alguns peixinhos;
i) Andou sobre o mar;
j) Curou uma orelha decepada;
k) Ressuscitou após morrer;  etc.

(2) Olhando para as obras de Jesus citadas anteriormente eu faço uma pergunta objetiva: Alguém após Jesus Cristo e seus apóstolos conseguiu fazer obras – no sentido de milagres e coisas extraordinárias – maiores do que as que Ele fez?

Sinceramente não conheci no que estudei de história até hoje e nem vejo na atualidade qualquer homem, servo de Deus, que se equipare ou que supere Jesus em termos de obras extraordinárias. Você conhece?

(3) Se fazer “obras maiores do que as de Jesus” definitivamente não está ligado a milagres extraordinários como demonstramos no ponto anterior, o que Jesus quis dizer com “fará também as obras que eu faço e outras maiores fará”?

Fica evidente pela compreensão do texto e contexto que Jesus tinha em mente a extensão da obra de Deus e não o tamanho e qualidade dos sinais que operava que, diga-se de passagem, só Ele mesmo para operar coisas tão grandiosas e únicas.

Jesus, enquanto homem estava limitado a Sua encarnação, já que Ele iria morrer como profetizou várias vezes aos Seus discípulos. Ou seja, o tempo de Jesus como ser humano aqui na terra era limitado, logo, suas obras como homem também eram.

Sabemos que seu ministério foi de apenas 3 anos. Por esse fato, Jesus justifica a questão das obras maiores, dizendo: “porque eu vou para junto do Pai” (João 14.12).

As “obras maiores” que os discípulos fariam, citadas por Jesus, estão ligadas a Sua partida. Logo depois, na sequência do capítulo 14 de João, Jesus promete o Consolador, o Espírito Santo, que dará continuidade a obra de Deus através dos Seus servos.

(4) Assim, podemos concluir que as “obras maiores” que Jesus disse que Seus servos fariam foram a expansão do reino de Deus. Jesus teve um ministério bem restrito em termos territoriais.

Mas logo após a sua morte vemos que os discípulos alcançaram quase todo o mundo da época pregando o evangelho do reino e, claro, hoje nós também fomos alcançados por aquele evangelho iniciado no território de Israel por Jesus.

Nesse sentido, nós podemos ver que os servos de Cristo, equipados com o Consolador, o Espírito Santo da promessa, fizeram obras maiores – em extensão – do que as de Jesus!

A evolução tecnológica da comunicação ajudou em muito nessa tarefa.

Outro exemplo comum de interpretação que ignora o contexto é João 14:13-14. Ler este versículo fora de contexto parece indicar que receberemos qualquer coisa de Deus contanto que usemos a fórmula "em nome de Jesus" no final da oração.

Ao aplicar as regras de hermenêutica adequadas a esta passagem, vemos Jesus falando aos Seus discípulos no Cenáculo na noite de Sua traição.

O público imediato é os discípulos. Em essência, isso é uma promessa aos discípulos de Jesus de que Deus proveria os recursos necessários para que terminassem a sua tarefa.

É uma passagem de conforto porque Jesus logo iria deixá-los. Existe uma aplicação aos cristãos do século 21?

É claro! Ao orar de acordo com a vontade de Deus (em nome de Jesus), Deus nos dará aquilo de que precisamos para realizar a Sua vontade em e através de nós.

Ainda hoje Deus é capaz de curar, caso contrário eu não oraria por um filho doente.

A questão é que as curas e sinais do início da Igreja tinham um objetivo muito claro, que era de comprovar que Deus estava começando algo novo e os sinais eram uma espécie de selo e comprovação.

Mas quem já crê e é salvo não precisa de comprovação, portanto a cura passa a ser uma misericórdia de Deus se Ele achar que a pessoa deve ser curada. Não é uma regra, como acontecia quando o Senhor curava através dos apóstolos e eram TODOS curados.

Pb. André Sanchez
Pb. João Placoná