quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Levitas de ontem e os blasfemos de hoje

"Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim." (Mateus 15:8)

Em I Crônicas 9:33 surgem os cantores levitas, cujo ofício era o de cantar dia e noite ao Senhor, por isso estavam livres de qualquer outro trabalho.

Esses sacerdotes músicos moravam em câmaras especiais na própria área do templo e faziam revezamento para que o louvor e a adoração a Deus jamais cessassem.

Naturalmente o ministério levítico, tal qual instituído na antiga aliança, já não é cabível nesses tempos da Graça em que vivemos.

Isso, porém, não implica em seu desmerecimento ou mesmo na desconsideração para com os aspectos espirituais que devam caracterizar seus integrantes.

A santidade e a seriedade para o exercício deste extraordinário ministério, ainda perduram igual com o passar do tempo.

A música é um ministério e não uma profissão

Aqueles que hoje fazem da música cristã tão somente um gênero a mais da indústria fonográfica, estão agredindo a glória de Deus e mercantilizando esse sagrado ofício.

O simples fato de existirem gravadoras evangélicas, que seguem formatos e estratégias de mercado, que lidam de forma artística com seus filiados e que abocanham verdadeiras fortunas com a vendagem da música cristã, já é algo profundamente sacrílego, blasfemo, vergonhoso, que deveria ser publicamente repudiado por todos aqueles que possuem algum papel de liderança dentro das denominações ou alguma influência no nosso meio cristão.

A música é uma oferta antes de ser uma arte

Quando surgiram os primeiros cantores levitas, era-lhes dada a clara orientação de que todo o resultado desse talento deveria nascer e se destinar ao tributo Divino. Ou seja, Deus é alvo da canção cristã, que em todas as instâncias deve louvá-lo e adorá-lo.

A existência de cantores cristãos que se veem e apresentam como artistas, inclusive portando posturas similares ao mundo secular, incrementa ainda mais esse sentimento de vergonha, que deve ser motivador de nosso protesto.

Talento e espiritualidade

Os levitas ministravam dia e noite para o louvor do Altíssimo. Obviamente disso podemos deduzir um grande aprimoramento e uma forma perfeita de apresentar a Deus essas canções.

Todavia, esse era um aspecto externo do ministério que não se dissociava da principal característica interna: a consagração.

Os cantores e cantoras de hoje, que acenam para os aplausos idólatras de seus fãs, que fazem exigências em hotéis de luxo, que cobram cachês altíssimos que variam de R$ 10.000,00 a R$ 100.000,00, que se apresentam em casas de espetáculo, que não dispensam todos os recursos do culto à personalidade e do narcisismo característico aos padrões de beleza do mundo, certamente cairiam fulminados pela justiça de Deus, caso ainda estivéssemos na antiga aliança. 

Um recado à Igreja

Uma visão superficial mostra o estado da igreja atual no que tange ao aspecto musical. O sagrado foi substituído pelo artístico e o dinheiro se tornou a maior motivação daqueles que se profissionalizaram nessa impostora versão levítica moderna.

A igreja de Deus é um santuário de adoração e louvor. Um arraial de salvação e um campo fértil de disseminação da graça e do poder de Deus.

A casa de Deus não é um palco para dançarinos e nem uma plataforma para shows.

Sem falar na letra da música que outrora reverenciavam a Jesus Cristo, hoje, os corinhos da Harpa Cristã estão fora de moda... Já vi letra de música gospel onde o autor chama Jesus de você!!! Onde está o respeito, o temor?

Hoje encontramos: Funk cristão, Metal Cristão, Rock cristão, Sertanejo cristão, Sambão cristão, etc.

O nosso olhar triste e decepcionado diante da radiografia que se nos apresenta, seguramente não ofusca a visão futura que temos do que Deus há de trazer terrível juízo sobre todos aqueles que tão flagrantemente profanam Sua Casa.

Pr. Reinaldo Ribeiro

Pb. João Placoná